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VeloCine

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Cinema itinerante apresentado pelo personagem que fala com as mão e comunica por sinais o poema Ozymandias.

Ozymandias é um soneto de 1818, escrito por Percy Bysshe Shelley (1972-1822), e que antes de ser o título da obra do poeta inglês foi o nome dado pelos gregos ao faraó Ramsés II, um dos mais memoráveis lideres do Egito, com um reinado longo e prestigiante.

É a partir da imagem deste faraó que Percy Bysshe Shelley tece sua história de poder. O relato chega-nos de um viajante que descreve seu encontro com uma estátua perdida no meio do deserto. A história é tão simples que se torna avassaladora. Trata-se de uma imagem cênica com uma simbologia clara e acrescentada de riqueza poética pelo autor, as palavras do faraó servem de recado à posteridade. Numa manobra de destreza poética, Percy Bysshe Shelley passa do aviso aos comuns mortais para a derrocada do próprio Ozymandias.

O que o poeta alcança de forma magistral é o desarme de todas as figuras políticas que, do alto da sua megalomania, esquecem-se que todos os impérios caem. É isto que liga o soneto Ozymandias aos nossos tempos, o impacto do populismo e a concentração de poder, onde percebemos que os homens gostam mais de construir do que de preservar.

Percy Bysshe Shelley começou a escrever o soneto em 1817, só depois do anúncio que o Museu Britânico adquirira um fragmento da estátua de Ramsés II, datado do século XIII aC. Isso leva a crer que foi este o evento que o levou a escrever o poema. A ideia do símbolo máximo de um faraó tornar-se mercadoria ou antiguidade parece conter grande tensão literária e uma forte energia poética.

O poema também tem uma leitura de maior leveza e otimismo, dizendo-nos que por mais que um reinado seja efêmero a arte pode permanecer. Algo que o próprio Ozymandias fez, afinal Ramsés II foi o responsável por obras-primas que duraram muito mais do que o seu longo reinado. O soneto Ozymandias pode servir de lição a todos os que se mantém obcecados com o poder. Numa era em que o totalitarismo parece voltar à arena política e onde o disparate é a melhor forma de destaque, é importante que nos lembremos de como a história deixa o infinito em cheque e o põe à parte no desenrolar do tempo.

Atuação de Rudinei Morales

Versão para Libras de Elaine Regina

Fotografia de Márcio Camboa